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QUILOMBO DOS PALMARES - GRITO DE LIBERDADE

Palmares – grito de liberdade

Os negros africanos, que chegavam aos montes aos engenhos de Alagoas, logo que foi autorizado o tráfego negreiro, viviam como escravos, sendo maltratados, e trabalhando para enriquecer o patrão branco. Obviamente que eram revoltados e procuravam a todo custo, conquistar a liberdade. Era preciso que surgisse um líder da raça, que incentivasse os demais a lutar pela tão sonhada liberdade. E, assim entra em cena, Ganga Zumba, que levou um grupo de negros para um local distante dos canaviais, no alto da Serra da Barriga, no atual município de União dos Palmares. Os engenhos localizavam-se nos vales dos rios Manguaba, Camaragibe e Santo Antônio. A notícia foi se espalhando e a cada dia, chegavam mais negros fugitivos. Logo batizaram o local de Quilombo dos Palmares. Terra fértil, boa para o plantio de qualquer tipo de lavoura, foi se tornando um importante centro produtor. Os negros construiram uma verdadeira civilização, assim como era na África. Ganga Zumba se constituia no Chefe de Governo e tinha seus Ministros. Formou-se então uma verdadeira República Parlamentarista. Um avanço na época. Lá, eles viviam livres, falavam seu próprio idioma, não eram maltratados pelos brancos e podiam cultuar suas tradições religiosas e festivas. Vez por outra, os portugueses, brasileiros e até os holandeses, tentaram acabar com esse refúgio dos negros. Não conseguiram. A população negra era mais numerosa e organizada. O tempo foi passando, e Ganga Zumba já não conseguia ter forças para liderar a comunidade. Na tradição africana, a hereditariedade era passada de tio para sobrinho. E, assim ele escolheu um desses sobrinhos: Zumbi, um jovem negro, forte, educado por um padre de Porto Calvo, que logo afeiçou-se a causa da liberdade, integrou-se ao Quilombo, e tornou-se o maior líder revolucionário da História do Brasil, finalmente reconhecido por decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em 20 de novembro de 1995, exatamente quando o país reverenciava os 300 anos de sua morte. Zumbi era um líder nato. Sua companheira Dandara, uma mulher forte, guerreira, que liderava o grupo feminino. Organizado, logo pôs ordem no Quilombo, nomeando seus assessores e distribuindo tarefas para toda a população, que era preparada para a batalha. Quando esse dia chegava, ninguém dormia. O quilombo fervia. Eram homens, mulheres e crianças de prontidão para o ataque. E foram vários. Por quase um século o Quilombo dos Palmares resistiu. Mas em novembro de 1695, os brancos conseguiram subir à Serra da Barriga. Era um grupo numeroso e fortemente armado, liderado por Domingos Jorge Velho e Bernardo Vieira. O sangue jorrou. Milhares de negros foram barbaramente assassinados. Zumbi conseguiu fugir acompanhado de alguns de seus companheiros. Lutou até o fim, quando viu tudo que construiu ser destruído e seus irmãos de cor, sendo mortos. Existem duas versões sobre a morte de Zumbi. A primeira é a de que ele suicidou-se, pulando de um precipício na Serra da Barriga. Mas os historiadores da época, afirmam que ele foi assassinado mesmo, depois de alguns dias da destruição total do Quilombo. Sua cabeça foi cortada e levada ao Recife, para ser exposta ao público como um troféu. Era o dia 20 de novembro de 1695. E depois de três séculos, essa data vem sendo lembrada como o Dia Nacional da Consciência Negra. A cada ano, centenas de negros e brancos sobem à Serra da Barriga nesse dia, para reverenciar Zumbi e sua raça. O local é tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Mas precisa melhorar sua infra-estrutura. Foi construida uma vila cenográfica, lembrando o ´próprio Quilombo. No alto da serra, existe uma estátua, lembrando a figura do líder maior, mastro para bandeiras e muito espaço, com o verde predominando por todos os lados. Além, é claro, de um bonito visual para toda a zona da Mata. É uma das mais altas serras do Estado. O projeto para construção do Memorial Zumbi, já existe. Mas continua engavetado. Faltam recursos financeiros. É sempre assim: Quando se pensa em cultura, não existe dinheiro do governo, que só beneficia mesmo os banqueiros e outros grandes produtores. Seria a construção de um espaço cultural no alto da serra, com museu, biblioteca e teatro. A luta dos movimentos negros, continua. Já apresentaram vários avanços. A própria cidade de União dos Palmares, lembra seu passado histórico. Em vários pontos, vê-se o nome de Zumbi e do Quilombo dos Palmares. Em Maceió, existem as praças Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares, além de uma escola municipal. O aeroporto também lembra esse episódio que se constituiu no primeiro grito de liberdade do Brasil.

Terra prometida 
A fertilidade da terra que depois transformou-se em Capitania, Província e Estado de Alagoas, atraía muita gente. E, com o avanço da invasão de outros povos europeus ao Brasil, logo esse pedaço da então Capitania de Pernambuco, ficou muito visado. Primeiro foram os franceses, que chegaram para explorar o pau-brasil. Não passaram muito tempo, mas deixaram uma marca: a construção do primeiro porto, que ficou conhecido como Porto dos Franceses, aproveitado depois como único porto da região, para o transporte do açúcar em demanda a Portugal. E foram quase três séculos com esse local contribuindo decisivamente com o progresso de Alagoas, até o surgimento do Porto de Jaraguá. Hoje, ainda existe um resquício aquela época: a carcaça de um navio francês, que, quando a maré está baixa, fica bem visível. E esse curto período vivido pelos invasores, imortalizou-se na História e está com o nome na “boca do povo”. É a praia do Francês, a mais badalada do litoral alagoano, conhecida no país e no mundo, como uma das mais bonitas do Brasil. Pertence ao município de Marechal Deodoro, distante poucos quilômetros da capital. Mas a fase mais duradoura dessas invasões, foi mesmo a dos holandeses, que transformaram a Capitania de Pernambuco no Brasil Holandês. E muito contribuiram para o seu desenvolvimento, embora Alagoas não tenha experimentado essa fase de apogeu, que restringia-se mais ao Recife e Olinda. Por aqui, foi mais destruição, como ocorreu com a Vila de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul (atual Marechal Deodoro), completamente incendiada pelos holandeses, que ainda tentaram fazer o mesmo em Santa Luzia do Norte, não conseguindo, devido a ação rápida de seus moradores, liderados por dona Maria de Souza. Em Penedo, construiram um forte, depois destruído pelos brasileiros e portugueses, que não queriam qualquer lembrança dessa fase. Um outro episódio que marcou a presença dos holandeses em Alagoas, foi a Batalha da Mata Redonda, uma alusão ao local (hoje pertencente ao município de Porto de Pedras) onde ocorreu a mais sangrenta batalha entre holandeses, portugueses e brasileiros, vencida pelos primeiros, por ter um maior arsenal e maior contingente de homens. Mas os holandeses liderados por Maurício de Nassau, muito fizeram por Pernambuco. A cultura, a educação, o avanço na agricultura e na pecuária. Enfim, uma civilização que eles queriam formar, e transformar numa colônia desenvolvida. Construiram pontes (ainda existentes), teatros e outras grandes obras no Recife, cidade que ainda hoje lembra esse período de desenvolvimento cultural e econômico. É notório o gosto pela cultura do povo pernambucano, notadamente de Recife e Olinda. Por lá, surgem movimentos culturais que se expandem Brasil afora. O próprio frevo é criação dos pernambucanos. Os holandeses eram protestantes (evangélicos), mas não impunham essa religião aos brasileiros que eles já dominavam. Assim a religião católica continuou sendo forte na Capitania. Preocupavam-se com a educação, implantando métodos avançados de alfabetização para crianças e adultos. Maurício de Nassau, foi inegavelmente o maior administrador que o Brasil já teve. Era organizado, trabalhador e extremamente ético, qualidades que os demais donatários portugueses não possuiam, optando mesmo pela exploração, a escravidão dos negros e índios e o aumento da produção de açúcar para enviar a Portugal.
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